A Rosa Desfolhada

Tento compor o nosso amor dentro da tua ausência,
toda loucura, todo martírio de uma paixão imensa,
teu toca discos, nosso retrato, um tempo descuidado
tudo pisado, tudo partido, tudo no chão jogado
Em cada canto teu desencanto tua melancolia,
teu triste vulto desesperado ante o que eu te dizia
E logo o espanto e logo o insulto o amor dilacerado
e logo o pranto ante a agonia do fato consumado
Silenciosa ficou a rosa no chão despetalada
que eu com meus dedos tentei a medo reconstruir do nada
o teu perfume, teus doces pêlos, a tua pele amada
tudo desfeito, tudo perdido, a rosa desfolhada.

Vinícius de Moraes

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