The mind is its own place…

Setembro 25, 2008

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 5:39 pm

Somos donos de nossos atos,
mas não donos de nossos sentimentos.
Somos culpados pelo que fazemos
mas não somos culpados pelo que sentimos…
Podemos prometer atos,
mas não podemos prometer sentimentos.
Atos são pássaros enjaulados,
sentimentos são pássaros em vôo!”

Mario Quintana

Abril 21, 2008

O QUE O VENTO NÃO LEVOU

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 7:37 pm

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves
são as únicas que o vento não conseguiu levar:

um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento…

 

Mario Quintana

Novembro 28, 2007

Soneto Azul

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 4:34 pm

Quando desperto mansamente agora
é todo um sonho azul minha janela
e nela ficam presos esses olhos
amando-te no céu que faz lá fora.

Tu me sorris em tudo, misteriosa…
e a rua que – tal como outrora – desço,
a velha rua, eu mal a reconheço
em sua graça de menina-moça…

Riso na boca e vento no cabelo,
delas vem vindo em bando…E ao vê-lo
por um acaso olha-me a mais bela.

Sabes eu amo-te a perder de vista…
E bebo então, com uma saudade louca,
teu grande olhar azul nos olhos dela!

Mario Quintana

Novembro 21, 2007

O Tempo

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 5:50 pm

O despertador é um objeto abjeto.
Nele mora o Tempo. O Tempo não pode viver sem
nós, para não parar.
E todas as manhãs nos chama freneticamente como
um velho paralítico a tocar a campanhinha atroz.
Nós
é que vamos empurrando, dia a dia, sua cadeira de
rodas.
Nós, os seus escravos.
Só os poetas
os amantes
os bêbados
podem fugir
por instantes
ao Velho…Mas que raiva dá no Velho quando
encontra crianças a brincar de roda
e não há outro jeito senão desviar delas a sua
cadeira de rodas!
Porque elas, simplesmente, o ignoram…

Mario Quintana

Indivisíveis

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 5:49 pm

O meu primeiro amor e eu sentávamos numa pedra
Que havia num terreno baldio entre as nossas casas.
Falávamos de coisas bobas,
Isto é, que a gente achava bobas
Como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.
Crianças…
Parecia que entre um e outro nem havia ainda separação de sexos
A não ser o azul imenso dos olhos dela,
Olhos que eu não encontrava em ninguém mais,
Nem no cachorro e no gato da casa,
Que tinham apenas a mesma fidelidade sem compromisso
E a mesma animal – ou celestial – inocência,
Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:
Não, não importava as coisas bobas que diséssemos.
Éramos um desejo de estar perto, tão perto
Que não havia ali apenas duas encantadas criaturas
Mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,
Enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabia
Que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida…

Mário Quintana

Quem ama inventa

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 5:47 pm

Quem ama inventa as coisas a que ama…
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava…

E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições…

Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho…

Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado… e ter vivido o sonho!

Mário Quintana

Um dia acordarás

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 5:44 pm

Um dia acordarás num quarto novo
sem saber como foste para lá
e as vestes que acharás ao pé do leito
de tão estranhas te farão pasmar,

A janela abrirás, devagarinho:
Fará nevoeiro e tu nada verás…
Hás de tocar, a medo, a campainha
e, silenciosa, a porta se abrirá.

E um ser, que nunca viste, em um sorriso
triste, te abraçará com seu maior carinho
e há de dizer-te para teu assombro:

- Não te assustes de mim, que sofro a tanto!
Quero chorar – apenas – no teu ombro
e devorar teus olhos, meu amor…

Mario Quintana

Novembro 20, 2007

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 1:30 am

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

Mario Quintana

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 1:28 am

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos – onde
os deuses, por trás das suas máscaras,

Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo… 
 

Mário Quintana

Confissão

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 1:27 am

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece…
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
Mário Quintana

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 12:25 am

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim…
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir…
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas… e que estão escritas
do lado de fora do papel… Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia…
como
uma pobre lanterna que incendiou!

 Mário Quintana

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 12:24 am

Cheguei a concha da orelha
à concha do caracol.
Escutei
vozes amadas
que eu julgava
eternamente perdidas.
Uma havia
que dentre as outras mais graves
tão clara e alta se erguia…
Que eu custei mas descobri
que era a minha própria voz:
sessenta anos havia
ou mais
que ali estava encerrada.
Meu Deus, as coisas que ele dizia!
as coisas que perguntava!
Eu deixei-as sem resposta. 

Mario Quintana

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 12:23 am

Tenta esquecer-me… Ser lembrado é como evocar
Um fantasma… Deixa-me ser o que sou,

O que sempre fui, um rio que vai fluindo…
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
Me recamarei de estrelas como um manto real,
Me bordarei de nuvens e de asas,
Às vezes virão a mim as crianças banhar-se…
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir… é seguir para o Mar,
As imagens perdendo no caminho…
Deixa-me fluir, passar, cantar…
Toda a tristeza dos rios
É não poder parar!

Mario Quintana

Novembro 19, 2007

Jardim Interior

Arquivado em: Mario Quintana, Poesia — Daniela @ 12:29 pm

Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza muito pálido,
onde uma fonte
pudesse cantar
sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência
nem o abandono…
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por eles passa indiferente.

Mario Quintana

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