The mind is its own place…

Agosto 28, 2008

O Mestre Ingênuo

Arquivado em: Fernando Pessoa, Poesia — Daniela @ 2:13 pm

Criança desconhecida e suja brincando à minha porta,
Não te pergunto se me trazes um recado dos símbolos,
Acho-te graça por nunca te ter visto antes,
E naturalmente se pudesses estar limpa eras outra criança,
Nem aqui vinhas.
Brinca na poeira, brinca!
Aprecio a tua presença só com os olhos.
Vale mais a pena ver uma cousa sempre pela primeira ver que conhecê-la,
Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.
O modo como esta criança está suja é diferente do modo como as outras estão sujas.
Brinca! pegando numa pedra que te cabe na mão,
Sabes que te cabe na mão.
Qual é a filosofia que chega a uma certeza maior?
Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar nunca à minha porta.

Alberto Caeiro

Arquivado em: Fernando Pessoa, Poesia — Daniela @ 2:12 pm

O único mistério do Universo é o mais e não o menos.
Percebemos demais as cousas – eis o erro, a dúvida.
O que existe transcende para mim o que julgo que existe
A Realidade é apenas real e não pensada.

Alberto Caeiro

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