The mind is its own place…

Janeiro 30, 2008

Beatriz

Arquivado em: Vídeos — Daniela @ 1:20 pm

Janeiro 29, 2008

Qualquer caminho leva a toda parte

Arquivado em: Fernando Pessoa, Poesia — Daniela @ 12:36 am

Qualquer caminho leva a toda a parte
Qualquer caminho
Em qualquer ponto seu em dois se parte
E um leva a onde indica a estrada
Outro é sozinho.
 

Uma leva ao fim da mera estrada. Pára 
Onde acabou.
Outra é a abstracta margem

……
No inútil desfilar de sensações
Chamado a vida.
No cambalear coerente de visões
Do [...]
 

Ah! os caminhos estão todos em mim.
Qualquer distância ou direcção, ou fim
Pertence-me, sou eu. O resto é a parte
De mim que chamo o mundo exterior.
Mas o caminho Deus eis se biparte
Em o que eu sou e o alheio a mim
[...]

Fernando Pessoa 

Janeiro 24, 2008

Arquivado em: Pablo Neruda, Poesia — Daniela @ 5:58 pm
Que posso fazer se me escolheu a estrela
 Para ser um relâmpago, e se o espinho
Me conduziu à dor de alguns que são muitos?
O que fazer se cada movimento
e minha mão me aproximou da rosa?
Pablo Neruda

O mistério das cousas

Arquivado em: Fernando Pessoa, Poesia — Daniela @ 5:56 pm
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol, 
E já não pode pensar em nada, 
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Fernando Pessoa

Arquivado em: Fernando Pessoa, Poesia — Daniela @ 5:56 pm

Pálida, a Lua permanece
No céu que o Sol vai invadir.
Ah, nada interessante esquece.
Saber, pensar – tudo é existir.

Mas pudesse o meu coração
Saber à tona do que eu sou
Que existe sempre a sensação
Ainda quando ela acabou…

Fernando Pessoa

Sou um Guardador de Rebanhos

Arquivado em: Fernando Pessoa, Poesia — Daniela @ 5:53 pm

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro – Guardador de Rebanhos

Assim Como

Arquivado em: Fernando Pessoa, Poesia — Daniela @ 5:50 pm

Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade,
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada.
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos, infância da doença.
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.

Alberto Caeiro

Janeiro 14, 2008

Oque nós vemos

Arquivado em: Uncategorized — Daniela @ 2:46 pm

O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir ?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores,
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.

Alberto Caeiro

Se Eu Pudesse

Arquivado em: Fernando Pessoa, Poesia — Daniela @ 2:41 pm

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…

Alberto Caeiro

Ravel: Concerto in G – 2nd Mvmt

Arquivado em: Uncategorized — Daniela @ 2:37 pm

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