The mind is its own place…

Novembro 19, 2007

Arquivado em: Cecília Meireles, Poesia — Daniela @ 4:19 pm

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante. 

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do
nosso pulso. 

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles

Sem comentários ainda »

Nenhum comentário ainda.

Feed RSS dos comentários deste post URI do TrackBack

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.